segunda-feira, 24 de abril de 2017

Peniel é um lugar no meu ser! I




Adoraria ter, hoje, mais uma daquelas conversas longas sobre Deus, pelo que, quem não a desejar ler, já sabe, pode passar à frente :) O que aqui escrevo é produto das minhas leituras, escutas, meditações. Como tal, escrevo em primeiro lugar para mim, e é-me muito importante deixar registado aquilo com o qual concordo. Para mim e para alguém que sinta desejo de se chegar mais a Deus, de O compreender melhor, de O tratar por Pai e concluir que não há melhor colo que o dEle. 
E o pensamento de hoje parte do primeiro livro da Bíblia: Génesis.

Assim, passou o presente diante da sua face; ele, porém, passou aquela noite no arraial.
E levantou-se aquela mesma noite, e tomou as suas duas mulheres, e as suas duas servas, e os seus onze filhos, e passou o vau de Jaboc.
E tomou-os, e fê-los passar o ribeiro; e fez passar tudo o que tinha.
Jacob, porém, ficou só: e lutou com ele um varão, até que a alva subia.
E vendo que não prevalecia contra ele, tocou a juntura da sua coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacob, lutando com ele.
E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se me não abençoares. 
E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacob.
Então disse: Não se chamará mais o teu nome Jacob, mas Israel: pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste. 
E Jacob lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali.
E chamou Jacob o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e minha alma foi salva.
E saiu-lhe o sol quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa.
Por isso, os filhos de Israel não comem o nervo encolhido, que está sobre a juntura da coxa, até o dia de hoje; porquanto ele tocara a juntura da coxa de Jacob no nervo encolhido.
Génesis 32, 21-32




Jacob é o personagem principal desta história. Jacob é neto de Abraão e filho de Isaque. Reportando para esta conversa e para um contexto actual, Jacob é a terceira geração de uma família de pessoas ligadas a Deus, cheias de histórias com Ele, com os rituais, com as pessoas envolventes, com todo o processo que gira à volta desta questão. 
Para os dias de hoje, Jacob é aquele que, ou quer fugir da religião por ter sofrido alguma espécie de trauma, ou por cansaço. 




A atestar isto, podemos ver a sua faceta de espertalhão ao lidar com o sogro Labão, fugindo da casa deste, e fugindo da sua própria casa devido ao problema da primogenitura com o irmão Esaú. Quem conhece, sabe do que falo; quem não conhece, pode procurar saber, mas não disserto sobre isso agora para não deixar a conversa demasiado extensa.


 


Chega a uma altura, porém, em que ele se reconcilia com o irmão, e no dia anterior ao reencontro, ele fica em grande aflição, decorrente de tantos conflitos internos, dando continuação a uma grande inquietação e crise iniciada no seu coração há algum tempo atrás. Como consequência, ele começa a ter experiências de outra natureza e um desejo enorme de voltar para casa, uma vontade de retomar às raízes, de reencontrar as pessoas que ele amara um dia. E aí, quando ele começa a querer sentir o cheiro da família, quando ele começa a querer retornar ao ambiente do seu pai Isaque, deseja ver se aqueles que tinham servido a seu avô e a seu pais ainda estão vivos, começa a querer ser ele próprio herdeiro das promessas que um dia ele ouvira e que corriam dentro daquela casa, daquela linhagem, daquele historiar de fé. Aquilo tudo começou a crescer dentro dele, e foram anos e anos até que ele se foi despertando mais vivamente para esse interesse. E lá vem ele...




Penso que não é difícil reconhecer que ser a terceira geração numa casa de crentes, em geral, não é lá essas coisas. Mesmo quando o pai foi piedoso e o avô também, a terceira geração está assim meio de "saco cheio", ou está traumatizada, ou então pensa assim: "o meu pai era um santo piedoso, o meu avô também, mas isso era para eles, para o tempo deles. Eu fiquei com overdose de pregações, overdose de mensagens, overdose de crentes, de igreja, etc."




Mas chega uma hora em que não interessa se o teu avô Abraão ou o teu pai Isaque eram dos bons ou dos maus. Chega uma hora em que a Palavra de Deus não volta para Ele vazia, chega uma hora em que a bondade de Deus começa a militar contra a nossa natureza, chega uma hora em que Deus declara guerra ao nosso cinismo, em que as milícias celestiais, os anjos, decretam que o tempo de nós andarmos na dissimulação e no conforto de quem diz "eu creio, mas não é preciso ser tanto", é findo. Chega uma hora em que os céus gritam e tu vais enfrentar a Deus, em que Deus mesmo se faz homem e vem lutar contigo. Chega uma hora em que os anjos, de raiva apaixonada, vêm ao teu encontro, numa noite qualquer e te tiram o sono para te perturbar, para te incomodar. Chega uma hora em que a conspiração do amor de Deus começa a preparar-se de tal modo, que tudo em ti é desconforto, que todas as coisas chamam e falam por uma saudade daquilo que tu repudias, por um desejo de aproximação com o que antipatizas, por uma vontade de correr o risco de reentrada naquilo a que antes dirias jamais entrar. Chega uma hora em que uma coisa estranha, uma maldita saudade toma conta de ti e tu ganhas razões absolutamente inexplicáveis para te aproximares daquilo de que antes fugias.
E é aí que tudo recomeça. Lindo! Mas continuarei num outro post...


sábado, 22 de abril de 2017

Porto















Foi uma estreia, para ele, andar de comboio. Bom, na realidade, já tinha andado, mas ainda era muito pequeno para se lembrar. Então, esta foi uma estreia em grande, numa viagem de quase três horas, com direito a mudar de comboio uma vez, para dar mais emoção à coisa :)
Mas valeu a pena este dia das férias da Páscoa. Ele portou-se bem e o Porto revelou-se uma cidade muito agitada, cheia de gente que ia ao mesmo que nós: com muita vontade de conhecer.
Uma vez lá, os pontos marcantes foram muitos. Nomeadamente... Saídos da estação de S. Bento, rumámos à Sé. Lá, tirando todo o protagonismo à magnificência do monumento, um casal a dormir ao relento, lá em baixo numa rua sem saída, num canto encostado a um muro e cobertos por um edredon branco, que ofuscava com o sol. Ela, de boca aberta, parecia ressonar, ambos completamente alheios ao barulho ensurdecedor de pessoas, carros e artistas de rua que exibiam as suas habilidades musicais. Não sei o que atraía mais a atenção dos turistas: se o monumento, se o casal :)
O senhor estrangeiro que tocava saxofone. Como agradecimento pela moedinha colocada no estojo do instrumento pelo meu pequeno, tocou-lhe a música "eu perdi o dó da minha viola..." só para ele :)
O passeio sobre a ponte do metro, de cuja vista tirámos imenso partido. 
A descida do ascensor até à Ribeira. Fenomenal. E digo isto, porque não sei como não despencámos! É que, se a determinada altura a descida estava a ser suave, com uma inclinação aceitável, de repente fica a pique, dando a quase certeza de que iríamos cair. Ai, que sensação na barriga. Mas foi na Ribeira que almoçámos a nossa Francesinha, metade para cada um, que temos estômagos humanos e esse prato é apenas para valentes.
Depois da descida, a subida à Torre dos Clérigos. Suaaaada! Muuuuito suada! Muitas escadas para subir, muito calor, muita gente, um sufoco. Sim, a vista vale a pena, mas por favor, num dia mais fresco e sem tantas pessoas! O que realmente valeu a pena, para além do interior lindo da igreja, foi o som do órgão do séc. XVI que estava a ser tocado na altura. Momento único, grandioso, muito especial, sem dúvida.
Os dois rapazes que tocavam na rua com uns paus e tachos, e latas, e baldes e etc. Lindo, adorei! Muito, muito simpáticos, muito cúmplices nas batidas, um show completo. E especialmente lindo quando atraíram a atenção de um bebé de talvez 18 meses, que estava estupefacto com o barulho, mas que eles souberam cativar e pôr a dançar! Muitas palmas para o bebé, e que Deus abençoe quem sabe tocar assim, com tanta sensibilidade.
Ao fim do dia, tempo para acalmar o calor das caminhadas com um gelado artesanal numa esplanada de um café requintado e regresso a casa.
Foi apenas um dia, mas um dia memorável, o dia em que a minha carraça conheceu uma cidade grande do país :)

sábado, 15 de abril de 2017

Uma Páscoa Feliz para todos!




Uma frase que faz todo o sentido nesta quadra Pascal:

O mistério da dor: transformar 
feridas em bênçãos.



quinta-feira, 13 de abril de 2017

Destas pseudo-férias














Alguém aqui notou a minha incerteza acerca das minhas férias antes destas começarem? Pois, eu cá tinha a minha razão... Férias? Só no calendário da empresa, porque na prática... Mas bom, não quero reclamar. Porque há quem precise e não tenha trabalho para poder gozar férias, há quem não as tenha, há quem não tenha saúde para as gozar e por aí fora, daí que ainda assim, eu seja uma privilegiada. E das férias retenho as poucas coisas boas que ainda consegui fazer: uma mala de crochet na execução de um ponto novo que aprendi, a ida a uma das "cidades grandes" do país que o pequeno queria muito conhecer (Porto - a eleita desta vez) e a visita à horta, onde já não ia há uma pequena eternidade. Apesar do calor, soube bem voltar a pôr o chapéu na cabeça e a enxada nas mãos para sachar as batatas. E das minhas deambulações pela horta, retenho uns dos melhores momentos dos últimos dias. Que muitos outros se sigam!


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Bom dia!




Para que serve a coragem, essa coceira que bate no miolo da vontade? Coragem serve para aceitar um convite. Serve para fazer as pazes com quem, por algum motivo menor, nos distanciamos. Serve para entregar o bilhete aéreo e deixar para trás um amor, aos prantos, no saguão do aeroporto. Serve para queimar os dedos no azeite quente ao colocar as cebolas para dourar. Serve para trabalhar com algo que nunca se trabalhou antes. Serve para carregar uma bandeira. Serve para o diálogo. Coragem serve para banhos: de chuva, de cachoeira, de mar, de rio. Ela está lá no instante em que dizemos sim ao novo. E quando estamos abertos ao novo, ele entra sem bater. O novo, quando é de casa, chega no meio da noite, na hora do almoço, logo cedo, em pleno final de semana. O novo, se for bem recebido uma vez, volta.
| pedrinho fonseca |

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Os meus olhares, esta manhã










Depois de ir ter ido pôr o piqueno à escola, de manhã, saí com o objectivo de fotografar plantas selvagens que crescem à beira dos caminhos, para poder fazer um estudo mais "aprofundado" das espécies que ainda não identifico bem, com a ajuda de um livro antigo que tenho comigo e que fala dos segredos e virtudes das plantas medicinais, sendo este mesmo o título do livro. 
O ar estava fresco e limpo, ainda um pouco húmido do orvalho caído durante a noite e este meu primeiro dia útil de férias não podia ter começado da melhor maneira. Com ar leve e cheiro fresco e pedaços de paisagem avassaladora... pelo menos para mim :)


sábado, 1 de abril de 2017

Na minha mesa, esta semana




Na minha mesa, esta semana, estiveram mais ovos, a nova edição de Abril da Country Living, as lãs que retomei e os sapatos novos que adquiri. Esteve também um punhado de sol e calor, admiração das minhas plantas e um pouco de abrandamento, a antecipar as férias que, creio, vou ter. Só coisas boas, portanto.
De facto, a Primavera trouxe consigo novos dias de sol e calor e com isso, mais cor, mais energia, mais alegria, mais flores, mais promessas e mais projectos. As galinhas estão também contentes, vê-se pelos ovos diários que nos dão, proporcionando guloseimas e omeletes com aquilo que a horta dá. Também a nova edição da Country Living me promete momentos de sonho e de relaxe a admirar as cores, as composições, os projectos e os testemunhos de quem vive do campo e para o campo e de quem vive daquilo que as suas mãos produzem, a lembrar que as coisas simples são tudo menos simples, pois são as mais importantes e marcantes da nossa vida. Esta semana voltei também a alguns dos trabalhos que tinha pendentes. A luz do sol e as saudades tremendas que já tinha de trabalhar com as mãos em algo bonito fizeram-me descansar na evolução da minha mantinha de Outono e no gradual esvaziar do cesto da costura, fazendo remendos em roupas que se querem duradouras. E finalmente, a minha nova aquisição, marcante para mim. Fruto de uma visão frugal da vida, visto e calço muito do que me dão, sendo que só me dão coisas boas e que tinham como destino o lixo, ao qual eu digo não, que não faz sentido deitar coisas boas para o desperdício, eu uso, então. Por isso me sabe tão bem quando compro algo para mim, e só compro o que me faz falta ou que desejo muito, tornando as minhas compras algo consciente e apaixonante. É o que acontece com estes sapatos. Estou perdidamente apaixonada por eles! :)) E o que os torna mais especiais, é o facto de lhes conhecer um pouco da história. E como eu adoro histórias bonitas! Comprei-os numa feira dos produtos da terra, num stand que pertencia a dois jovens que adquirem as peles para confeccionarem os sapatos e os entrega a um outro jovem que, de uma fábrica de sapatos falida, comprou as máquinas básicas para os poder coser e assim, em conjunto, formarem um negócio que não sei se será rentável, porque tudo neste país é difícil nesta área (só nesta, claro! - grunf), mas desejo muito que o seja, porque adoro gente que ainda tem coragem de abraçar projectos artesanais. Desejo-lhes toda a sorte do mundo, para estes e para todos os destemidos por esse mundo fora.
Neste lado do globo, que todos possamos aproveitar bem esta Primavera, e que ela seja o concretizar de muitos sonhos bonitos!
Do outro lado, desejo o mesmo para todos os que estão a viver o Outono :)